Para Refazer nos cinemas a história de um dos heróis mais famosos dos quadrinhos não é coisa fácil, ainda mais quando, durante o período de divulgação, foi afirmado que se trataria da “história não revelada”.
O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man), de Marc Webber, que estreou no dia 06 de julho de 2012 nos cinemas brasileiros, tinha como principal obstáculo superar a trilogia antecessora. Apesar de o primeiro filme acerca do Aranha, dirigido por Sam Raimi, ter sido lançado há 10 anos, as memórias daquele ótimo filme está viva na mente de que o assistiu. Um fantasma que deve ter tirado o sono dessa nova produção.
Pela visualização dos trailers, é clara a intenção de deixar a história do herói mais sombria (agradeçam Christopher Nolan e o seu excelente Batman o Cavaleiro das Trevas por isso). O início do filme, com os acontecimentos trágicos e inexplicáveis ocorridos com os pais do ainda criança Peter Parker, confirmam esta ideia e apresentam um ponto misterioso para o decorrer do longa-metragem e das futuras produções, que, por sinal, já foram confirmadas.
Contudo, no decorrer dos minutos, a “história não revelada” torna-se muito parecida com o retratado por Raimi, em 2002. A picada de uma aranha, a descoberta dos poderes e a responsabilidade consequente, a morte de tio Bem e a culpa que o herói carrega por esta morte. Não que os fatos foram minimamente repetidos. Houve modificações, mas a ideia, o fundamento, continua lá.
Peter Parker (Andrew Garfield), nesta nova película, mostra-se mais antenado e descolado. Ele deixou de ser aquele nerd que sofria Bullying de todos para se tornar alguém que anda de skate nos corredores do colégio e se veste de modo próprio, antenado a uma determinada moda, e, talvez, menos gênio do que o personagem antes mostrado.
Palmas para a atuação de Martin Sheen como Tio Ben. Ele conseguiu trazer bastante humor para a tela sem precisa se esforçar muito, quase todas elas envergonhando seu sobrinho na frente do seu par romântico, a personagem Gwen Stacy (Emma Stone), que se tornou uma grande novidade do filme, visto que ela foi o primeiro amor na vida do Aranha. Aliás, deve-se elogiar o fato de que o relacionamento dos dois, a aparência de Emma Stone e a personalidade da personagem estão idênticos aos HQ’s, além de grande parte da história em relação a família dela estarem, também, presentes nos gibis. Este acontecimento, além do mais, corrigiu o “corte na história” feito no Homem-Aranha de 2002, que introduziu Mary Jane como primeira e única par romântica da série.
Mais palmas para o ator Rhys Ifans, que interpretou o inimigo, o Dr. Curt Connors/Lagarto. Apesar de haver novamente semelhanças com o filme de 2002, como o fato de que tanto o Lagarto quanto o antigo inimigo Duende Verde (Willem Dafoe) se apresentavam em conflito entre o certo e o errado, em que a personalidade dos “monstros” tentavam convencer e se sobrepunham às fracas personalidades humanas dos personagens.
Contudo, os efeitos usados no Lagarto e as cenas de destruição e luta que se sucederam contra o Homem-Aranha foram excelentes. Vivemos uma época em que filmes parecem se resumir a efeitos especiais, sem preocupação com roteiros e atuações dos envolvidos, e com orçamentos milionários (O Espetacular Homem-Aranha teve orçamento de aproximadamente 215 milhões de dólares). Mesmo sendo um filme em que a temática efeitos especiais está presente, o roteiro não deixa a desejar, sendo apresentada uma narrativa bastante satisfatória para os propósitos em que o filme se propõe. É muito bom ver Peter Parker aprendendo suas habilidades a duro custo, criando o lança-teia (que tornou o filme mais fiel às histórias em quadrinhos) e dando tudo de si em batalhas, sempre com disposição e inteligência.
Ainda no âmbito da qualidade de imagens, o 3D está digno. Vale a pena assisti-la. Não se trata de mais uma tentativa de produções milionários tentarem apenas conseguir mais dinheiro dos telespectadores.
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| O vilão, a mocinha e o herói. |
Um ponto negativo, entretanto, foi o fato de o ator Andrew Garfield ter tirado diversas vezes a máscara durante o longa. Simplesmente não parecia haver preocupação com a descoberta de sua identidade. Parece que ninguém em Nova Iorque tinha câmera com celular naqueles momentos. Mas esse fato é coisa pouco, quando se fala na magnitude da história e no carisma do personagem.
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| Como é que as pessoas que viram isso não falaram sequer uma palavra sobre um garoto pendurado no teto de um metrô. |
Por fim, há mais pontos positivos do que negativos em relação ao filme. É bom para se divertir, aproveitar uma ida ao cinema, que está ficando cada vez mais caro (meia-passagem pra que te quero). É um filme com grandes mudanças, mas que manteve a essência do herói e dos quadrinhos. Fiquei satisfeito com o resultado final e acho que agradou a quem assistiu e irá agradar a quem ainda irá assistir.
NOTA FINAL: 7,5.
Abaixo, assistam o trailer do filme.





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